Paul Morphy - Tabuleiro de Xadrez

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Paul Morphy

Paul Morphy
Conhecido como "o orgulho e a tristeza do xadrez", Paul Morphy foi um grande jogador, mas sua verdadeira categoria - em comparação com outros campeões - permanece um enigma até hoje, mais de cem anos depois de sua morte. Entre todos os enxadristas conhecidos como os melhores do mundo em suas épocas, ele teve a carreira mais curta e jamais encontrou um adversário que pudesse vencê-lo. Sua fama tem sido sustentada por menos de 75 partidas sérias e um número maior de brilhantes vitórias em partidas informais.

Morphy foi aclamado como prodígio aos doze anos de idade, quando derrotou o mestre Johann Lowenthal, em visita à cidade natal de Morphy, Nova Orleans, numa série de partidas amistosas.

Então, em 1857, teve lugar um acontecimento que projetou consideravelmente o nome e a carreira de Morphy. Foi o primeiro congresso norte-americano de xadrez, em Nova York, que - por sorte - ocorreu na época em que Morphy estava à altura dele.

O congresso consistia numa série de matches eliminatórios, e Morphy derrubou seus três primeiros adversários antes de derrotar Louis Paulsen no match final por 6 a 2. Paulsen mostrou-se, mais tarde, um excelente jogador e grande estrategista, sendo que muitas de suas ideias de abertura foram adotadas por grandes mestres um século depois. O fato de Morphy ter vencido esse mestre da defesa pode ser uma prova melhor de sua força do que sua vitória, muito mais admirada, contra Adolf Anderssen.

Os sucessos de Morphy baseavam-se em seu conhecimento das posições abertas e no fato de saber desenvolver as peças rapidamente nas clássicas aberturas do flanco do rei e tomar a iniciativa de maneira econômica, sem desperdiçar lances. Geralmente, os contemporâneos de Morphy atacavam sem uma base de desenvolvimento sólido ou jogavam um xadrez de manobras, com lances desperdiçados e irrelevantes que emperravam seus planos.

A vitória mais famosa de Morphy ocorreu durante o intervalo de uma ópera, contra dois dignitários jogando em consulta. Trata-se da partida amistosa mais celebrada e instrutiva de todos os tempos.

Morphy viajou à Europa em 1858 e derrotou todos os seus desafiantes, inclusive com uma margem de 8 a 3 contra Anderssen, que vencera o Primeiro Torneio Internacional de Londres, em 1851. O campeão inglês, Staunton, driblou as tentativas de Morphy de marcar uma partida - sabiamente, pois os maiores sucessos de Staunton haviam ocorrido na década anterior e não se tinha dúvida de que Morphy venceria. Mas, depois de ter provado sua supremacia sobre seus contemporâneos, Morphy perdeu seu interesse pelo xadrez, e o fim de sua vida, marcado pela doença mental, fez dele um recluso e o levou a desprezar o jogo nos seus quinze últimos anos.

Como teria Morphy enfrentado os campeões de gerações mais recentes? O conhecimento das aberturas em torno de 1860 era ainda rudimentar e Morphy necessitaria de um curso intensivo em teoria moderna para poder enfrentá-los. Certamente, ele assimilaria tais informações com rapidez, pois conhecia a teoria de sua época; uma de suas vitórias contra Anderssen se deu graças a uma variante preparada da Abertura Ruy López.

Em seu excelente livro The rating of chessplayers past and present (edição Batsford), que inclui uma comparação dos níveis dos grandes mestres modernos e seus antecessores, o Professor Arpad Elo confere a Morphy um grau 2690, o suficiente hoje para torná-lo um dos mais fortes jogadores do mundo. Tenho minhas dúvidas sobre esse veredicto, que se baseia em poucas partidas e não leva em conta a doença de Morphy, que prejudicou seus resultados no fim da vida, assim como ocorreu com Akita Rubinstein.

Mas essa avaliação convida a um exame das partidas do match entre Morphy e Anderssen, reconhecido como outro grande enxadrista. Anderssen não competia desde 1851 e saiu prejudicado com aberturas inferiores tais como 1. a3 e a defesa Central, que proporcionou a melhor vitória de Morphy no match.

O comentário embaraçado de Anderssen, após sua derrota no match, foi: "É impossível preservar o próprio talento numa caixinha de cristal, como uma jóia, para tirá-lo quando necessário. Pelo contrário, ele só pode ser conservado por uma prática sólida e constante". Em seus últimos matches contra Kolisch e Steinitz, Anderssen deixou de lado tanto 1. a3 quanto a defesa Central e saiu-se muito melhor.

Quanto a Morphy, seu último feito antes de deixar o xadrez competitivo foi oferecer peões e lances de vantagem para qualquer desafiante do mundo. Ninguém aceitou - o que seria inconcebível se semelhante oferta fosse feita atualmente por um grande mestre famoso. O paralelo moderno mais próximo é a proposta de Fischer, dando cavalos de vantagem a qualquer enxadrista feminina do mundo, que ele abandonou rapidamente quando as autoridades do xadrez soviético mostraram entusiasmo em fazê-lo jogar contra a então campeã mundial, Nona Gaprindachvili, envolvendo uma aposta substancial. 
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