Kasparov comenta Fisher - Tabuleiro de Xadrez

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Kasparov comenta Fisher


"...uma combinação mitológica de naturezas ou, se quiser, um Centauro, uma síntese entre homem e xadrez".

Kasparov comenta Bobby Fischer, comparando-o a um Centauro, aquele fabuloso e intrigante monstro da mitologia grega, metade homem, metade cavalo e que representava a selvageria, a devassidão e, às vezes, a bestialidade.

Ainda me lembro dos dias do match pelo Campeonato Mundial entre Spassky e Fischer, em 1972. Eu era um garoto de 9 anos dando os primeiros passos no xadrez, na tranqüila Baku. Sabia, é claro, que Spassky, o atual Campeão Mundial, era um jogador muito forte, mas, para mim, Fischer, meu ídolo então, era um enxadrista de outro calibre, alguém de uma categoria distinta, particular. O mundo enxadrístico havia mudado muito desde o seu surgimento e eu também havia realizado algum progresso naqueles vinte anos... 



Quando comparo minha carreira com a de Fischer, devo admitir que tinha uma certa vantagem sobre ele. Não havia ninguém - ao seu lado - para ombrear-lhe, no sentido de pressioná-lo a chegar às alturas que alcançara sozinho, ao passo que fui privilegiado de ter um jogador da estirpe de um Karpov, que me forçou a empenhar-se e avançar sempre o mais alto. Se um poderia julgar sua força de jogo comparando-se aos seus contemporâneos, me parece que a façanha de Fischer é sem igual: a distância entre ele e seus mais próximos rivais era absurda.

Ele estava uns 10 a 15 anos à frente de sua época, no tocante à preparação e compreensão do jogo. Isto poderia ser atribuído, em parte, à sua dedicação ao xadrez, a qual era incomparável em relação a qualquer outro jogador da época e de antigamente.

Por tudo isso, concebo-o como uma combinação mitológica de naturezas ou, se quiser, um Centauro, uma síntese entre homem e xadrez. Não é este ou aquele jogo de Fischer que me impressiona, apesar de que ele jogou muitas partidas memoráveis, mas a sua atitude profissional fora e junto ao tabuleiro, e, também, suas qualidades combativas são o que me atraem enormemente.

Fischer foi o primeiro profissional autêntico a surgir no cenário enxadrístico, e até onde isso seja preocupante, espero ser reconhecido como seu seguidor.

Estudar os jogos de Fischer é importante para o enxadrista, seja ele de qualquer nível. Acima de tudo, elas (as partidas) lhe darão uma boa noção de como aperfeiçoar seu jogo em vários aspectos, ou, posto de outro modo, mudará sua atitude em relação ao xadrez numa direção que pode vir a ser um salto na sua força de jogo.

Fonte: www.bobbyfischer.net
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