Emanuel Lasker - Tabuleiro de Xadrez

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Emanuel Lasker

Emanuel Lasker
Na véspera do Natal de 1861, nasceu em Berlinchen, uma pequena cidade próxima a Berlim na Alemanha, um grande fenômeno do xadrez: Emmanuel Lasker. Cursou a universidade com brilhantismo, obtendo o título de doutor em matemática e filosofia, ciências essas que lecionou e cultivou com muito carinho por toda a vida. Era, fundamentalmente, um filósofo, de vasta cultura e grande inteligência, além de um jogador excepcional que reinou de forma indiscutível no mundo do xadrez por, acreditem, 27 anos consecutivos.

Iniciou-se nos tabuleiros aos doze anos de idade, junto com seu irmão maior Bertoldo, que era médico e excelente enxadrista. Desde cedo, demonstrou seu talento e a profundidade de suas concepções, as quais se baseavam nas teorias de Steinitz, pai do xadrez moderno e Campeão Mundial na época.

De 1889 a 1936, participou de 22 torneios, conquistando o primeiro lugar em 12 deles e o segundo em outros quatro. Dos 22 matches que disputou, com os maiores jogadores de seu tempo, ganhou 21 deles; em 12 não permitiu que seu adversário ganhasse uma única partida! Foi campeão mundial de 1894, quando tomou o título do próprio Wilhelm Steinitz (para o qual concedeu revanche dois anos depois), até 1921, quando perdeu o match para José Raúl Capablanca.

Mostrava sempre grande espírito de luta, fugindo sempre dos empates. Por isso, não era raro cair em posições inferiores. Todavia, era especialmente nessa hora que se agigantava, tornava-se mais perigoso, “qual pantera encurralada”, no dizer de Coria e Palau. Segundo Richard Reti, Lasker frequentemente jogava mal intencionalmente, a fim de desequilibrar a partida, porque sabia que pelos rumos normais, pelas trilhas já conhecidas, o resultado seria o empate.

Sua obra literária mais conhecida é “O bom senso em xadrez”, escrita a partir de doze conferências que deu em Londres, no ano de 1895, para uma plateia de jogadores de xadrez.

Foi um dos pioneiros do xadrez psicológico, da luta entre duas vontades, duas personalidades. Assim, estudava as partidas, a forma de jogar, as forças e as fraquezas dos mestres que tinha de enfrentar, para explorar seus pontos fracos... E também para mexer com seus nervos, conduzindo o jogo para rumos que sabia não serem de seu agrado!

Nesse sentido, outra valiosa observação sua é que um dos segredos do xadrez é nunca fazer um lance puramente defensivo, porque a ameaça desconcerta mais que a própria concretização.

É famosa a passagem em que, jogando com um adversário que não suportava a fumaça de cigarros (e para o qual havia prometido não fumar durante a partida). Logo após cinco ou seis lances, ele tira um charuto do bolso e o leva à boca. O outro jogador chama imediatamente o árbitro, que calmamente observa:

– Ele não está fumando, porque o charuto continua apagado.

– É, mas ele está ameaçando acendê-lo!

Essa grande personalidade do mundo enxadrístico faleceu em Nova York, em 11 de janeiro de 1941, aos 79 anos.

Em 1894, Lasker derrotou Wilhelm Steinitz com um resultado de 10 vitórias, 4 empates e 5 derrotas, o que lhe permitiu tornar-se o segundo campeão mundial de xadrez, além disso foi o jogador que manteve este título durante mais tempo, 27 anos. O seu registro de vitórias em torneios inclui vitórias em Londres (1899), São Petersburgo (1896 e 1914) e Nova Iorque (1924).

Em 1921, perdeu o título para o cubano José Raúl Capablanca . Apesar de, um ano antes, Lasker se ter proposto a desistir do título em favor de Capablanca, este quis conquistar o título no tabuleiro.

Em 1933, Emanuel Lasker e a esposa, Martha Kohn, abandonaram a Alemanha (Lasker era judeu e temiam os nazistas) rumo à Inglaterra, e após uma curta estada na União Soviética acabaram por ir viver em Nova Iorque.

Lasker era conhecido pela sua abordagem “psicológica” ao jogo, por vezes escolhia uma jogada teoricamente inferior para tentar colocar o adversário “desconfortável”. Num jogo famoso contra Capablanca (São Petersburgo em 1914), onde devia ganhar a todo o custo, escolheu uma abertura com propensão para empatar o jogo, o que fez o adversário baixar a guarda e permitiu a Lasker triunfar.

Um dos jogos mais famosos de Lasker é o seu confronto com Bauer (Amesterdã 1889), onde sacrificou ambos os bispos, uma manobra que veio a repetir em vários jogos. O seu nome está associado a algumas aberturas, por exemplo a variação de Lasker do Gambito da Dama (1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 Cf6 4.Bg5 Be7 5.e3 O-O 6.Cf3 h6 7.Bh4 Ce4).

Outras facetas

Lasker foi um distinto matemático, obtendo seu doutorado em Erlangen sob a orientação de David Hilbert. A sua tese de doutoramento Über Reihen auf der Convergenzgrenze foi publicada na revista Philosophical Transactions em 1901.

Foi ainda filósofo e amigo de Albert Einstein. Também se dedicou ao bridge, jogo em que, à semelhança do xadrez, se tornou um mestre.
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